
Como “encontrei” a espiritualidade
- Diego Jolly
- 13 de abr. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 17 de abr. de 2025
Num dia qualquer, adormeci no sofá da sala. Respirando memórias de uma época em que me encontrava com apenas quatro anos de idade, resgato uma cena que me deixou encucado por muito tempo, até descobrir, aos quatorze anos, ao comprar um livro sobre terapias de vidas passadas (que guardo até hoje), que essa experiência se tratava de uma viagem astral.
Consegui ver, com nitidez, meu corpo adormecido ali embaixo. E eu, flutuando no teto, simplesmente me deixei levar pela experiência. Naquele momento, não julguei se era bom ou ruim, apenas observei. Afinal, eu tinha só quatro anos.
Os sonhos sempre me pareceram importantes. É neles que tiro várias inspirações para as artes, e é neles também que, desde criança, experimento que posso voar, que o mar é de um azul celestial intenso, com águas moldáveis ao pensamento e sem o risco de afogamento. Respirava embaixo d’água, mesmo diante de inúmeras ondas gigantes que assolavam as cidades onde me encontrava. Nada daquilo me afetava.
Lembro de paisagens exuberantes, castelos, formas e ilhas flutuantes, passeios noturnos pelos telhados das casas, levitando e caminhando,
encontrando pessoas que nunca vi, conversando sobre a vida… Ou, em outras ocasiões, visitando lugares sombrios nas madrugadas, de arrepiar a espinha. Há alguns anos, adquiri o hábito de anotar todos esses sonhos assim que acordo, como um exercício de memória também.
Aos dezesseis anos, tive a experiência mais intensa até então, dentro da cronologia da minha vida. Numa noite, estava assistindo ao filme Presságio — se não me engano, recém-lançado nas locadoras — e aquilo me impressionou profundamente. Não darei muitos spoilers para quem não assistiu, mas a teoria da influência de seres extraterrestres atuando como “deuses” no povoamento humano em outras orbes me pareceu fascinante. Nunca havia pensado nessa possibilidade. Explodiu minha mente de tal forma que fui dormir completamente impressionado.
Durante a reza noturna, já deitado na cama, comecei a perceber a voz do meu pensamento mudar de tom, tornando-se a voz de um velho. Meu corpo inteiro começou a tremer, o coração acelerou — típica reação de uma projeção astral. Minha tela mental ficou toda branca e, aos poucos, esse branco se dissolveu como fumaça. Me vi, então, em um cenário exuberante: uma sala grande, mas não imensa, com quadros pendurados nas paredes. Os desenhos que vi ali serviriam de inspiração, doze anos depois, para os meus “quadros da alma”.
Tudo aconteceu em poucos minutos após me deitar, sem que eu tivesse intenção de vivenciar tal experiência. E da mesma forma rápida com que começou, terminou. Tudo tão intenso, tão veloz, que me causou medo. O coração acelerado me trouxe de volta à cama, duplamente impressionado naquela noite… e então, adormeci.
Nessa mesma fase, ainda com dezesseis anos, antes da maioridade, comecei a me interessar por livros com temas esotéricos. Os que mais me marcaram, e que lembro de cabeça, foram: O Alquimista, A Divina Comédia, Bhagavad Gita, a Bíblia (meu avô sempre lia e me influenciou muito), entre outros. Dividia meus dias entre essas leituras, meus desenhos (nessa época eu escrevia e desenhava mangás, pois alimentava o sonho de desenhar mangá no Japão) e o basquete. No ensino médio, jogava muito — fazia parte do time da escola e também do time da cidade.
Pulando alguns anos e focando em fatos marcantes no meu contato com a espiritualidade, foi na faculdade — logo no segundo ano — que um amigo me levou para conhecer o Santo Daime. Fui e achei a experiência maravilhosa. Esse tema, inclusive, merece um blog só para ele. Entre idas e vindas, frequentei por cerca de sete anos. Fiz amizades e produzi diversos desenhos nesse contexto.
Outro grande amigo me apresentou à União do Vegetal. E novamente, a experiência foi maravilhosa. Como eu estava muito atarefado com meu estúdio de tatuagem na época, não conseguia frequentar ambas as casas em todas as cerimônias, mas era considerado um “visitante VIP”, como brincavam comigo por lá.
Nesse mesmo período, inserido no curso de História, estudava temas como História das Religiões, da Arte, das Mentalidades… Tinha contato com a ayahuasca, conversava mentalmente com mentores, caboclos, e pessoas de diferentes culturas que vinham tatuar comigo. Foi aí que aprofundei meu conhecimento sobre os orixás. Também tive contato com O Caibalion, bruxarias, Blavatsky… e por aí vai. O gosto pela espiritualidade já fazia parte de mim — e se tornou um caminho sem volta.
Florianópolis também foi um marco nesse meu despertar. Em 2015, um amigo resolveu expandir seu estúdio de tatuagem e abrir uma unidade na Ilha da Magia. Fui falar com ele na esperança de conseguir alguns dias de trabalho — e consegui! Me organizei para passar uma semana tatuando em Floripa… e acabei ficando por um mês!
Na época, não era meu costume assistir a vídeos no YouTube. Eu lia os livros dos autores que me interessavam, e isso me bastava. Mas, durante aqueles dias, um rapaz que vi apenas uma vez na porta do estúdio começou a falar sobre espiritualidade. Conversamos em roda sobre os livros que estávamos lendo. Naquele momento, estava lendo O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, e algum livro sobre Jung. Ele me perguntou se eu já conhecia Laércio Fonseca. Respondi que não, e ele disse: “Se você quer despertar sua consciência, assista aos vídeos dele.”
Voltei para Maringá alguns dias depois e simplesmente maratonei os vídeos do professor Lalá. Ainda mais sendo ele fã de Raul Seixas, como eu — sintonia na certa! Aquilo abriu uma nova porta para mim: vídeos no YouTube sobre espiritualidade, algo que eu ainda não tinha explorado nessa vida.
Nem vou listar tudo que já assisti — seria impossível. Foram praticamente dez anos consumindo conteúdos das mais diversas linhas… Mas posso dizer qual foi minha base, que mantenho até hoje: em 2015, depois de Laércio Fonseca, os que mais assisti foram Luís Gasparetto, Hélio Couto, Wagner Borges, Pava e Helio Gabriel — este último, que por anos foi inspiração nas minhas ideias sobre o mundo espiritual, hoje é meu amigo pessoal. Quem diria!
E diante de tudo isso… o que fazer com tantas informações, conceitos sobre o universo, dimensões, guias espirituais? Como aplicá-los de forma prática, para vivermos melhor, nos descobrirmos como seres humanos e acessarmos nossos propósitos por meio do autoconhecimento?
Esse, eu vejo, é um tema para outro blog.
Vejo vocês lá, um grande abraço!




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