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A identidade artística e o desafio das novas gerações

  • Foto do escritor: Diego Jolly
    Diego Jolly
  • 8 de abr. de 2025
  • 2 min de leitura


O que vejo acontecer no cenário artístico atual é, para mim, uma grande incógnita para as futuras gerações de artistas. Na tatuagem, por exemplo, campo em que atuo diretamente, os portfólios de muitos profissionais são praticamente idênticos. Repetem-se as mesmas imagens, os mesmos estilos, como cópias vindas diretamente do Pinterest ou de outros bancos visuais. Falta identidade, falta verdade.


Criar arte, de fato criar, exige um pouco de tempo, paciência e alma. Quem desenha com frequência, quem cultiva o hábito de rascunhar ideias num caderno, quem investe tempo, imaginação e presença, mesmo sem formação acadêmica, começa a tocar em algo raro: a essência do fazer artístico. É isso que, acredito eu,  fará diferença para o futuro da arte, e é isso que me interessa ver nas pessoas!


O que me encanta em um artista é a forma como ele interpreta o mundo. A maneira como desenha um olho, um nariz, um cenário. Como escolhe suas cores, como estrutura sua narrativa visual. Esses detalhes revelam as entrelinhas além da técnica: revelam interioridade, momento de vida, gostos, emoções, a verdadeira essência.


Na tatuagem, essa sensibilidade se revela de forma ainda mais mágica. Observar como um artista transforma uma ideia contada por um cliente em algo único, com personalidade, com emoção, é ver nascer uma obra viva, feita para durar na pele e na memória. Isso é arte. Isso ilumina o mundo.


Mas esses são os raros. Os que admiro. A maioria parece presa em uma competição silenciosa para ver quem copia melhor, quem reproduz com mais perfeição o que já existe. O desenho, muitas vezes, virou colagem: uma imagem daqui, outra dali, alguns detalhes batidos… e está feito. Mas será mesmo?


Sinceramente, não sei o que esperar dos próximos anos, num tempo em que tantos querem pular os processos. Discípulos querem se tornar mestres antes mesmo de aprenderem a caminhar, e logo passam a ensinar outros discípulos igualmente despreparados, criando uma cadeia apressada, sem raízes, baseada no lucro rápido e na aparência superficial do sucesso.


Esquecem, ou talvez nunca tenham descoberto, que a verdadeira lapidação da alma de artista começa no momento em que se desperta para o próprio caminho… e nunca termina. Nesse percurso, somos eternos aprendizes. E, sem que a essência do criador apareça em sua obra, dificilmente poderemos chamar de verdadeira Arte.

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